Muito tem sido discutido no universo cristão sobre a união civil entre homossexuais até aqui, um debate nem sempre sadio e de resultados positivos. Acompanhei tudo de perto, lendo textos aqui e acolá, embasando minha opinião com prudência e calma. Acho que chegou a hora de dar a cara a tapa e compartilhar um pouco do que penso sobre o tema neste espaço.
Em primeiro lugar, acho que poucos cristãos enxergam o tema na divisão que lhe é necessária: a esfera religiosa e a esfera cidadã. Se Cristo, em seu discurso aos fariseus (Mateus 22), fez a mesma divisão, quem sou eu para misturar no mesmo balaio questões tão díspares:
Então lhes disse Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. (Mateus 22:21)No âmbito religioso, o homossexual comete pecado. Simples assim. E nem sou eu quem digo. Enquanto discípulo de Cristo, devo crer na Bíblia, onde não faltam referências contrárias ao relacionamento íntimo entre pessoas do mesmo sexo: Romanos 1:27; 1 Coríntios 6:9 e 10; e Levítico 20:13.
Saber disso, porém, não me dá o direito de acusá-lo, afinal, a mesma Bíblia que fala de condenação para a homossexualidade, fala de condenação para os julgadores. E desta vez, nas palavras do próprio Cristo:
Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós. (Mateus 7:2)Se quero ser um bom cristão, devo orar pelos que erram, não apontar-lhes o dedo. Ou não está na Bíblia a instrução de que Cristo, depois de subir aos céus, nos enviaria o Ajudador (Espírito Santo), o qual seria capaz de nos convencer dos pecados que temos cometido?
Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. (João 16:7-11)Fica então a dúvida, meus caros: é nosso insistente falatório que vai convencê-los do erro? Se não, nosso papel é orar por eles, para que o próprio Espírito Santo promova a mudança. Ao afrontá-los, estamos incitando o ódio, destoando do mandamento de que devemos amar ao próximo como a nós mesmos. E só o amor promove mudanças.
Na esfera civil pública, o argumento é ainda mais simples: enquanto cidadão, todo o homossexual tem o dever de pagar impostos e o direito à saúde, escola, entre outros insumos básicos garantidos por lei. É natural que, para se manterem como iguais, como preconiza a legislação brasileira, em dado momento, eles buscariam a união civil estável -- apoiada por Marina Silva, uma das grandes defensoras da divisão fé & cidadania, já que o Estado é laico.
Obviamente, não estou convidando todos os cristãos a levantarem bandeiras de arco-íris e tomarem as ruas ao lado de casais homossexuais em favor da união civil. Esta é uma causa deles, e a eles cabe a defesa de seus direitos. A nós, resta apenas o dever de colocar joelhos no chão e não atrapalhá-los.
Se protestar e afrontar não funcionou até agora, quem sabe não é o momento de baixar a guarda, apelarmos para a fé e demonstrarmos o verdadeiro amor cristão?


Gostei do post. Pois temos visto uma avalanche de notícias sobre o tema abordado nele. E de todas as formas tem se criado meios de implantar essa nova configuração de sociedade. O que não concordo é sentir que pelo fato de não concordar , faz de mim uma pessoa aculturada, honesta ou nobre.
ResponderExcluirPrecisamos de Lutar pela nossa Causa assim como o Rafael Porto descreveu. Com amor e respeito de uns para com os outros mas convictos na pela sua crença sem se machucar ou machucar alguem.
Gostei muito do texto e por isso resolvi comentar.
ResponderExcluirSou Heterossexual, mas não sou contrário a união deles. Também não sou religioso, acredito em Deus, mas nem tanto na bíblia, enfim, só uma introdução.
Acredito que você usou todos os argumentos possíveis e verdadeiros segundo aquilo que acredita, perfeito! Entretanto as pessoas, religiosas ou não tem por comportamento julgar, independente do que seja. Fazemos isso o tempo inteiro e chega a ser um paradoxo, eu explico. Um cara mata uma pessoa. O que vem na sua cabeça? Deve ser preso! mas estamos julgando... Sim, estamos ele até passa por um julgamento para sabermos o tempo que ele será detido. Isso faz parte da lei dos homens. Agora temos uma lei que beneficia os homossexuais e todos nós temos que respeitá-la como cidadões. Baseado nisso, se algum religioso submete-se a julgar um assassino, estuprador ou afim, comete o mesmo erro ao julgar um homossexual pela lei divina (agora eu quem estou julgando). Como disse isso é um paradoxo muito grande, vivemos pecando em julgamento. Acho que esse é o principal erro de nós humanos!!
E novamente, excelente texto, meu caro!